sexta-feira, 27 de maio de 2011

Dias, anos e vida

Eles ardem de doçura ou enfurecem o agulhão, tal qual uma abelha
E o certame continua indo e vindo, entre o mel e a dor
Dizem que os anos se desfiam como rede: não há rede
Dizem ainda que os anos são como um rio, cujas gotas correm e misturam-se a outras: não há rio
A vida, vivida ou sonhada, não pode ser partida em duas metades
Ela é ação, ela é silêncio, ela é verdade, ela é virtude, ela é uma em mil fases, e porque não dizer faces
Ela é como a folhagem seca que na fogueira, reverbera numa única chama: o tempo
Somos como árvores que crescem silenciosas, para cima e para baixo
Em baixo, convivemos com os germes instransferíveis e, bebemos da água extensa e gratuita
Em cima, nossa copa abriga, convive e compartilha o céu e tudo que nele há, até os temporais: e ainda estamos alí
Tomando do sol o seu calor sem sequer pedir seu consentimento
Tomando da chuva sua umidade, salivando nossas folhas e brotando nossas flores e frutos, sem que ela sinta a ausência de uma gota sequer

2 comentários:

  1. Belo e poético... Muito bom, Luiza!

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  2. Lu flor,

    "Somos como árvores que crescem silenciosas, para cima e para baixo" - perfeito!!
    Hoje estou bem reflexiva, um pouco mais do que sempre estou.
    Obrigada por me cutucar por dentro, descubro novidades em mim.
    Beijo minha linda. :)

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