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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Interrogatório

Não queremos poesia,
Queremos mágicas, artifícios,
Queremos explosões, meteóricas emoções e sensações
Queremos experimentar o inexperimentável
Procuramos tapar na existência fatais vazios
E apesar de imenso esforço, uma atrofia.
Um músculo sequer move-se nessa vã tentativa de reagir

Mas o que sabem vocês outros da secreta elevação
Dos sagrados e histéricos soluços da garganta a chorar?
Quando, consumidos pelo haxixe da alma em imersão,
Beijamos o primeiro degrau, para além de cujo limiar
Os deuses moram?
Vivem?
Persistem?
Ou simplesmente residem na vastidão de nossa insana ilusão?
Se moram, onde então será sua brigada?
Se vivem, como podemos então vos tocar?
Se persistem, será então que lutam para alimentar nossa crença?
Ou seremos nós, frágeis e ignorantes seres cuja existência só persiste se crermos no que ninguém mais crê?

Ah, outrora pequeninos, de fé imatura e intocável
Podiamos olhar o céu e ver mais que meras nuvens
Podiamos olhar o homem e enxergar mais do que um ser maior que nós

Onde ela está? Quem roubou nossa fé? Quem, de coração impuro a imaculou?
De certo voz alguma poderá nos responder
Mas sim, o espelho por ventura faria a vez dessa voz emudecida
Sem palavra alguma proferir

E nós? Com que cor pintamos nossa cara?
Com que pano tecemos nossas vestes?
Com que metal fizemos nossas armaduras?

Armaduras? Para que mesmo nós a fizemos?

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Os limites, a moral e a psicologia

Dois irmãos adolescentes, cidade pequena. A mãe morreu de câncer. Pai viúvo quer casar de novo. Herança da família em questão. Briga. Desentendimento. Caos. Partilha de bens, separação familiar. Casamento. Nova vida.
Irmãos: um pra lá outro pra cá.
O mais novo empreende o que ganhou. Estuda. Dá certo. Encontra um amor.
O mais velho bebe, vai a festas, gasta quase tudo o que tem. Amigos se aproveitam. Perde tudo.
O pai agora casado, não se desprende do passado e não se enxerga feliz no casamento.
Encontram-se, brigam. Mais dinheiro. Os irmãos agridem-se fisicamente. Uma garrafa estava perto demais. O mais novo é gravemente ferido. Os curiosos acham que é caso de polícia. A polícia acha que coisa de família, o pai acha que é coisa pra psicólogo, os repórteres acham que é assunto de todos.
Segunda-feira o jornal estampa: “Irmão tenta matar o outro porque queria dinheiro pra comprar drogas”
Quem falou em drogas? Ninguém. É que assim dá mais impacto, vende mais.
A psicóloga acha que pode ter sido o trauma causado pela família desfeita. Acredita também que os pais deveriam ter imposto mais limites. Os vizinhos comentam que eles deveriam ser mais severos. Onde já se viu, dar um carro só porque completou 18 anos?
No jantar de muitas famílias a notícia do jornal é o assunto principal. Do outro lado da cidade, outros pais preocupados com o que leram alertam os filhos quanto às drogas, más companhias, os perigos do mau uso da liberdade e confiança que lhes dera. Em outro lugar, uma mãe solteira que trabalha 15 horas por dia lê a notícia e se preocupa com o filho de 13 anos que está em casa sozinho. Fala com a patroa sobre ele ser muito introvertido e algumas vezes disperso e agressivo (vêm sendo vítima de bullying na escola pública onde estuda e não conta a ninguém por medo e vergonha). Ela por sua vez a orienta a levá-lo a um psicólogo. Diz “pode ser drogas”. A mãe apavorada porque não tem dinheiro para pagar um médico, acende uma vela para Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e pede proteção. Noutro lugar, uma garota de 10 anos - que não lera o jornal - agride a irmã de 12 anos porque não a deixou usar sua bolsa preferida. A irmã cai machucada e inconsciente, sobre o próprio sangue que agora tinge de vermelho o jornal que acabara de ler.
O pai do início da história pede divórcio, perde muito dinheiro e bens com a partilha. O irmão ferido, agora fora de perigo, perdoa o irmão mais velho e o convence a trabalhar com ele, largar a boa vida. Aproveita e o convida para ser padrinho do filho que espera com sua namorada. Ele, arrependido e feliz com a notícia aceita. Os três homens, agora juntos, recomeçam suas vidas com o que restou da família. Após o jantar, sentam-se frente à lareira e olham logo acima a foto da mãe – que se fora vítima do câncer – e ali prometem sempre ficarem juntos, aconteça o que acontecer.

domingo, 4 de setembro de 2011

Rhema

A estante já está cheia e empoeirada
Livros de mim aglomeram-se e não ouso relê-los
Não que sejam só histórias tristes, ao contrário
Embora velhos, ainda cheiram bem. Aroma de vida!

Estou prestes a colocar mais um lá
Este talvez não tenha tantos aromas, mas talvez volte a lê-lo
Lembrar-se de onde caiu faz parte da construção de um novo "eu"

Exito um pouco antes de começar um novo
Não me preocupo muito com a capa: dizem que é o principal. Não acho!
Folhas brancas, ponta fina e muita tinta!

Não sei o que vem por ai!
As vezes sinto que devo ter outros personagens... inéditos
E vou imaginando como deveriam ser: Tolice!

Não seria "meu" se não houvessem certos personagens
Aqueles que - bem ou mal - já fazem parte da minha história
E mesmo que já se tenham ido, ou que já estejam na porta, ou que sempre estiveram lá
Ainda assim são parte de nós. Nossa melhor parte!

Uma coisa meu livro novo tem:
Esperança! Gana por superar os maus tempos!
Vontade de me reinventar, superar, surpreender
Vontade de continuar escrevendo

Algumas coisas - como uma parede caiada - não mudarão
Só terão nova roupagem, uma pintura leve e alegre

E o principal eu já tenho: desejo de continuar minha história!
Escrita por mim mesma! Mas sem prever o final - não tenho esse poder
E talvez nem o queira.

Quero mesmo é continuar aqui! Sendo eu! Sendo assim!
Repaginada, renovada, reinventada: mas ainda eu!

O que distingue quem somos é o espírito e alma: estes não são manipuláveis ou ajustáveis
E não pretendo que sejam!

Rhema: Sopro de Vida. Sopro de Deus que produz vida. Uma vida nova e uma nova vida em cada um de nós.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Eis que faço nova todas as coisas

"Eis que faço nova todas as coisas"

Este foi o presente que Deus me deu hoje. E o presente tornou-se ainda mais belo, mais precioso quando vi o carinho de vocês aqui no blog. Fiquei emocionada, tocada e honrada com as visitas, os emails, os apoios. Era Deus gritando para mim "eis que faço novas todas as coisas".

Estou me sentindo melhor, mais alegre, confiante, mais fortalecida. E parte disso agradeço a vocês.

Fiz isso para vocês:

Era eu então como terra infértil que mal reagira às investidas daquele que me cuidava
Você veio com suas lágrimas tão cristalinas e as deixou sobre mim
Tuas lágrimas então não era de sofrimento ou de pesar
Mas de agradecimento pois conseguia ver aquilo que eu não conseguia enxergar
Te abaixastes devarinho, acariciastes as inconformidades da minha alma
Afastases os vermes, as daninhas e mais uma vez me regastes
Percebi então nada me restara a não ser aceitar à semente que me dera
Faze-la germinar no improvável de mim
E antes que o sol aparecesse totalmente, lá estava você: nascendo em mim!
Dar-te-ei um nome: Esperança!


Eis que faço nova todas as coisas!

É simples, mas é com carinho. É para vocês.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Me deixem aqui



Depois de tentar dormir por 1h30min e convencer-me de que não conseguiria, levantei. Acendi a luz. Liguei o computador. Loguei no blog e me pus a chorar. Não era um poema que iria sair de mim para que amanhã vocês o apreciassem.

Não gosto de falar muito do que esteja sentindo de forma explicita aqui, me expresso nas entrelinhas. Gosto que entrem e vejam o melhor de mim embora não seja lá expert em escrever. Mas gosto de deixar algo que gostem de ler. Mas hoje não tenho muito a dar. Enquanto escrevo meu coração se comprime. Soluço. Encharco o rosto que nem reconheço mais.

Insisto em perguntar por que me roubaram tudo o que tinha. Não era muito mas era meu. Na verdade, com minhas decisões erróneas eu permiti. A gente sempre quer arrumar um culpado por nossas desventuras.

Olho em volta do quarto e vejo minhas coisas encaixotadas, mofando na humidade do ambiente. Sinto falta da minha casa, do silêncio e do cheiro. Dizem que casa de mãe é tudo de bom. Talvez seja pra mim também. Mas não tem sido no momento. Entro no email varias vezes ao dia e envio mil currículos. Ligo a cada 24 horas para a delegacia para saber se prenderam o animal que me violou, me mutilou, me roubou o pouco de auto estima que tinha. E nada. E me pergunto o que aconteceria se eu fosse a filha de alguém rico, a esposa de um político, a neta de um empresário. Se eu fosse alguém "importante"... Talvez ele nem tivesse fugido, talvez a policia não tivesse levado eternos trinta minutos pra chegar. Talvez ele nem teria invadido a minha casa. Talvez eu nem tivesse que lutar por minha vida, por meu corpo. Mas não sou. Sequer sou a namorada, a filha, a amiga, a esposa de ninguém. É assim que me sinto: órfã. Sei que o que sinto agora me embassa a visão e que amanhã voltarei a enchergar a todos. Mas agora é assim que me sinto e não posso e não vou refrear.

Procuro amor. Só cobranças de que eu seja forte. Que lute contra a depressão que me assombra e que não aceito ter. Não quero ajuda médica. Quero apenas que Deus me conforte e continue a manter minha cabeça reta, com o olhar voltado para frente. Mas as vezes, como agora, as lágrimas pesam e minha cabeça, como a minha dignidade recai.

Hoje sinto-me indizivelmente só. Como se eu mesma tivesse me abandonado, saído de mim. Uma caixa de carne tentando ser humana, normal, forte. Olham-me e chamam-me de fênix. Mas não sabem que ainda não renasci, ainda permaneço nas cinzas. Ainda dói, sangra.

Se tenho esperanças? Tenho. Hoje é só mais uma recaída na qual permito-me ficar um pouco. Lutar cansa. E numa luta, ou se morre ou se vence. E as vezes os dois. Não sei se vencerei, mas continuarei lutando. Até que as armas enferrujem, até que o céu cinza cubra meu rosto, até que eu não consiga mais caminhar. Até que cortejos angelicais me levem.

Não julguem minha fragilidade. Não tenham piedade. Estou colocando pra fora minha lepra e seu cheiro ruim. Eu preciso fazer isso senão me sufoco. Preciso esvaziar-me para colocar coisas boas no lugar. E eu sei que tudo um dia melhora. Deus nunca me abandonou, embora eu tenha gritado bastante o seu nome e no momento só ouço o eco da minha voz avisando que é só o que restou agora. Que é tempo de espera. Que é tempo de paciência.

Mas não quero ter paciência. Quero que lutem por mim, quero que aceitem minha fragilidade e parem de dizer que sou forte, que lutei e venci... porque não enxergam que morro um pouco todo dia. Também não quero que sintam pena de mim ou que passem a mão na minha cabeça. Apenas  me deixem atravessar esse rio no meu ritmo, no meu tempo, do meu jeito, do jeito que posso e sei. Quando eu cansar, vou me recostar numa pedra qualquer e logo logo continuarei. Sem saber ao certo onde estou pisando, sem saber onde o rio vai terminar. Sem saber se vou conseguir.

Por hoje, deixem-me sangrar.

Amanhã ou tentar fazer uma linda poesia. Ou um texto que gostem de ler. Mas hoje, é tudo o que tenho pra dar. Não tem música, não tem rima, não tem coesão, não tem imagem. É só isto.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Balé para dois

Meu poema não tem flores, nem versos, nem rimas
Nem poema é ou será
Mas as palavras dançam em minha mente
Bailarina solitária rodopiando num balé para dois

Na vastidão do que sinto agora
Os aromas destes passos inundam o universo de mim
Sento-me diante do espelho e cuidadosamente penteio os cabelos
Delineio os traços dos meus olhos profundos como um rio negro
E o rosa da minha boca borrado num beijo que não dei

Recolho as velhas sapatilhas de laços longos e acetinados
Afasto o pó de mim que nelas ficou
Desenrolo a meia dos meus sonhos e visto minhas pernas
Elas me calçam então

E mais uma vez dançamos
Assim, na ponta dos pés que é para não apagar o teu rastro

Porque ainda te sigo

Tempo de cura



Quando a gente olha em volta e as cores vão-se tornando um cinza intenso e insistente
As músicas vão-se perdendo no silêncio que arde e queima e dói e você percebe que não restou mais nada

Quando você tenta com toda a tua força pintar um sol brilhante e quente no meio das tempestades
E tudo o que resta é um frio que arrepia e põe pra fora de teus poros o pouco de calor que resta

Quando você faz uma força sobre-humana para permanecer firme
E tuas muralhas vão-se esvaindo-se como um castelo de areia desfeito com a força frágil de pequenas ondas

E você tenta ainda sorrir
E você tenta ainda seguir
E você tenta ainda acreditar

Quando não conseguimos dar mais um passo sequer
E nos encolhemos em nossa dor e não adianta mais gritar ou gemer
Porque ninguém irá ouvir, ninguém irá chegar


É nesse momento que Deus lhe nos guarda na palma de Suas mãos... e podemos então nos permitir ser fracos... descansar... e parar de debater-se por que já estamos por deveras mutilados

É o tempo da cura

**A citação é uma oração celta.

"Quando você espera que a estrada se abra à sua frente
Que o vento sopre levemente às suas costas
Que o sol brilhe morno e suave em sua face
Que a chuva caia de mansinho em seus campos"

Vitoriosa (Ivan Lins) * Presente de André Resende

 
 
Eu costumo dizer: Tirem-me tudo se for necessário, deixe-me apenas - se puder - o amor, a família e os amigos - engraçado que isto tornou-se realidade. Ainda assim, sinto-me vitoriosa. Não feliz, mas vitoriosa.
 
André, você é sem dúvida uma das pessoas mais importantes da minha vida. Aprendo muito com você. "Quem tem um amigo tem um tesouro."
 
Quero sua risada mais gostosa
Esse seu jeito de achar
Que a vida pode ser maravilhosa...
Quero sua alegria escandalosa
Vitoriosa por não ter
Vergonha de aprender como se goza...
Quero toda sua pouca castidade
Quero toda sua louca liberdade
Quero toda essa vontade
De passar dos seus limites
E ir além, e ir além...
Quero sua risada mais gostosa
Esse seu jeito de achar
Que a vida pode ser maravilhosa
Que a vida pode ser maravilhosa...
Quero toda sua pouca castidade
Quero toda sua louca liberdade
Quero toda essa vontade
De passar dos seus limites
E ir além, e ir além...
Quero sua risada mais gostosa
Esse seu jeito de achar
Que a vida pode ser maravilhosa
Que a vida pode ser maravilhosa...

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Silêncio





Agora é tempo de estagnação.Como linhas de um livro cada vez mais curtas, cada vez menos palavras.

O tempo agora é de silêncio, de buscar dentro do que sou um significado maior para tudo o que há de vir.

Molho-me agora no mar do meu esquecimento e refresco-me em suas gélidas águas enquanto promessas arrepiam em mim.

Arranco para fora da pele a roupa que me aperta e sufoca. Dissipo os maus pensamentos e substituo-os pelo vazio do refazimento. Pausa!

Logo amanhecerá e as palavras novas surgirão como o astro que traz em si toda a força e calor. O silêncio vai-se aos poucos dissipando e esvaziando-se da mudez.

Revisto-me de novas vestes. E limpa das sombras que fragilizam-me contemplo o horizonte amplamente alargado e sei:

Poderei sempre retornar à estas águas. E o astro sempre surgirá como mensageiro de uma nova era.

Cegos!


Estamos cegos!
E o nosso silêncio os fazem adormecer.



terça-feira, 23 de agosto de 2011

Utopia










   Louca!
É o que dizem por eu ser assim.
   Aceito
Por desvairadamente correr atrás do que sonho.
   Acredito
Meus olhos tem foguetes que seguem velozmente os horizontes que procuro.
   Ainda
Meus pés que não cansam só abrem-se e expõe sua carne.
   E não se abatem
São talhados no calor do solo outrora relva que deitei.
   E dormi
Meu corpo movimenta-se tal qual um halo que nunca se viu.
   Sobressai-se ao escuro

E nada mais que digam ou calem freiam meus impulsos e desejos
E meus horizontes vão-se alargando enquanto vou-me agachando devagarinho
   É tardinha!
Aprumo minha cabeça numa pedra qualquer debaixo duma árvore frondosa
E repouso o esqueleto viajante enquanto meus olhos vão fechando-se
   l e n t a m e n t e
Fixados na imagem que tanto busquei
   E posso então descansar

sábado, 20 de agosto de 2011

Se me amas

Se me ama
Não me mude, não me use, não mutile
Não abra o baú dos meus sonhos
São como balões
Podem voar

Se me ama
Me deixa ir
Para poder vir
Para poder ficar

Se me ama
Não peça que eu recomeçe
Que eu reinvente
Que eu ignore

Se me ama
Aceita meus vazios
Aceita meus acúmulos
Aceita meus credos

Meus absurdos
Minha insônia
Minha embriaguez fácil
Meu riso solto
Minha cara amarrada

O rosa das minhas unhas
O alto do meu salto
O borrado da minha maquiagem
A incoerência da minha tatuagem

Lembra? Foi assim que tudo começou!
Foi assim que você olhou
Foi assim que você ficou

Não faz tanto tempo assim

Eu gosto do teu cigarro
Gosto do teu olho apertado
Gosto das tuas imitações (e eu rio sempre)
Gosto do teu riso, do teu choro, do teu silêncio
Gosto quando vai embora
Porque volta
Porque fica
Porque entra em mim
Porque se vira la dentro
Porque contorce tudo

E depois
Descansa em paz
Estamos em paz!
Imagens: fragmentos.bz / By Marina Faria
* Marina, obrigada pela gentileza de permitir usar suas lindas ilustrações!

Bela da noite

Do alto, só, aguarda sua hora
Enamorada do mar se derrama inteira
Completa
Em suas águas silenciosas
Escancara seu viço e adentra no útero de suas correntes
Fecunda-lhe de saudade e sedução
E se expande na maré como mil esmeraldas duma cor só
E se estilhaça nos corais multicoloridos como turquesas
O suor que dela sai une-se às águas embebecida pelo desejo
E o celebram como a um filho gerado no silêncio
E no fim, volta
Inteira
Para o seu lugar
No céu, bela da noite
A lua
E daqui de baixo o tempo emudece, até que volte
E pode-se então ouvir a voz do muezim

Saudade

Não te odeio simplesmente
Ou tão somente
Odeio tua origem

Não odeio quando chegas
Ou quando vais embora
É a tua permanência que me arde
E queima
E tonteia
E me tira de mim
E sai por ai
Até ires embora

Odeio teu nome
Tua família, teu pai e teu filho
Tua herança

Quando sair
Faça um favor: feche a porta
Saudade de m _ _ da!

Letras quebradas

Universo
Une
Verso
Inverso
Reverso
Téspio
Deixo
Queixo
Regresso
Imerso

Rio
Pio
Vil
Ardil
Febril
Anil
Viril

Ar


Rima
Ar
Rimar
Rir
Amar

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Ainda é amor

Sim! Ainda sinto!
E acho que ainda sentirei por muito tempo!
O frio, o arrepio, o suor, o tremor...
A voz ligeiramente rouca e trêmula
Como meus dedos e pernas e coxas

É! Ainda é real
Meu positivismo ressalta você nos melhores sonhos
E gero energias que te fecundam no ventre da paz
Da tranquilidade, do silêncio e do desejo

É! Como amar sem desejar?
Sem o coração acelerar só com o teu vulto, com teu viço!
Seria amor?
Que amor serve de conveniência senão aquele frio, arredio, que mantêm o tino?
Que tipo de amor é este que as pessoas inventaram que é gélido, inerte, sozinho, vazio?

Como não olhar o relógio e alegrar-se porque a  hora aproxima-se?
E ele mesmo te entristecer porque a hora já acabou e você ou eu precisamos ir?
Não existe amor sem desejo, sem carinho, sem  ternura, sem saudade, sem vontade, sem os tremores febris como as tardes quentes de verão!

Amadurecemos! Mas o amor é imaturo!
Nos deixa como adolescentes que se aventuram ao menor sinal
De novidades ou não!

Mas ele não é racional! E é perfeito do jeito que é!
É a variável da nossa existência, é o ponto de total desequilíbrio!

Quando você olha para o futuro e não sabe exatamente onde e como vai estar
Mas sabe que, esteja onde e como estiver, é com ele(a) que quer estar!
É amor! Tão puro e simples!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Na corda, na vida

Não adianta balançar a corda
Ela não bamba, dança com meus pés
Caminho sobre ela... ainda de saltos
E do alto vejo as nuvens e faço desenhos com a imaginação
Não me distraio, não balanço, não caio


Abro a sombrinha da minha ousadia
E persigo o sonho que eu sonhei pra mim
Ah, mas por acaso conseguires que eu caia
Usarei a corda para pular
E ainda assim... estarei me divertindo