Meu poema não tem flores, nem versos, nem rimas
Nem poema é ou será
Mas as palavras dançam em minha mente
Bailarina solitária rodopiando num balé para dois
Na vastidão do que sinto agora
Os aromas destes passos inundam o universo de mim
Sento-me diante do espelho e cuidadosamente penteio os cabelos
Delineio os traços dos meus olhos profundos como um rio negro
E o rosa da minha boca borrado num beijo que não dei
Recolho as velhas sapatilhas de laços longos e acetinados
Afasto o pó de mim que nelas ficou
Desenrolo a meia dos meus sonhos e visto minhas pernas
Elas me calçam então
E mais uma vez dançamos
Assim, na ponta dos pés que é para não apagar o teu rastro
Porque ainda te sigo
