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sábado, 16 de abril de 2011

O que sobrou do céu?

O sol invadiu a sala
A televisão ligada era um espelho refletindo o que havíamos esquecido
Era dia, mas faltou luz e ninguém percebeu
Lá em baixo, do outro lado da rua, crianças brincavam e emitiam sons, inocentes, nem viam
E o jornal sobre a mesa jogava em nossa cara o reflexo de nossa ignorância, descaso, egoísmo
E as crianças ainda brincavam inocentes, nem viam
E nós, tal quais meros apátridas, desistimos de lutar. Ou será que desistimos de vencer?
“Eu vi uma cidade incendiada e tive medo”, cantou Jobim. Ou chorou Jobim? Ainda temos medo? Nossa cidade segue incendiada e silenciada. Ou será que ficamos surdos?
O que sobrou do céu?
A luz não voltou e ninguém percebeu
A televisão continua refletindo o que não queremos ver
E as crianças ainda brincam. Inocentes.
O que sobrou do céu?
Não quero permanecer muda. Não ser apatriota. Não quero só vez, eu quero voz.