sábado, 9 de julho de 2011

Ainda tenho asas

E foi assim, criando e recriando, rejuntando pedaços e pequenos fragmentos de mim que tornei-me quem sou e assusta-me concluir que não sei. Mas presumo que este é o encantamento que torna tudo possível: não conhecer os limites, não ter todas as respostas, não saber identificar todos os sentimentos – e tão somente senti-los. É como cair de um penhasco e gritar com um sorriso rompendo o selo dos meus lábios que adoro voar. E vôo. Sinto o vento agredir-me o rosto e vejo tudo tão pequeno que não há como me assustar. E abro meus braços como se pudessem abraçar tudo ao mesmo tempo: e posso!
E vôo cada vez mais. Salto de penhascos cada vez mais altos. Tenho asas nos pés como Hermes (ou Mercúrio). Difere-me apenas o fato de não ser mensageira dos deuses e nem ousaria ser-lo, mas de mim mesma.
Não tenho medo! Mas sinto aquele friozinho na barriga que antecipa ora momentos bons, ora momentos ruins. Não importa. Preparo-me para todos e caminho (vôo) por estes dois pólos vivendo tudo ao seu tempo i n t e n s a m e n t e.
E quando tudo acabar quero continuar voando (com minhas asas nos pés), rompendo cada nuvem e abraçando o impossível porque, sinceramente, não desejo outra coisa senão continuar a pular de meus mais altos penhascos.

O Rei, a sombra e a máscara - Sidney Nicéas

O homem passa metade da vida tentando construir quem ele deseja ser, e a outra metade tentando corrigir quem ele é.

Ao longo da nossa vida criamos vários personagens para nossa própria actuação. Tecemos máscaras, cada uma diferente da outra, que faça-se nossa imagem e semelhança. Não suportamos ver quem de fato somos.

Travamos verdadeiras guerrilhas com tais personagens, damos a eles cores, sons, movimentos e até estórias. Mas sempre, sempre ocupamos o papel principal nesse teatro de faces.

O Rei que ora somos, também o somos em nossas criaturas: Astro Rei e a Lua. Dois "eus" a serviço do outro "eu". E as vezes nos perdemos deles e neles.


"- Criatura: que fazes em meu mundo?
- Eu sou tu. Teu avesso. Parte de ti. Criatura alargando teu mínimo ser, oh infame rei.
- Blasfêmia
- Como? não conheces a tua própria criação? Não reconheces a ti próprio, pretensa majestade?"

**Página 33 do livro O Rei, a sombra e a máscara, de Sidney Nicéas.

Majestade que somos, carecemos de súditos, de reinado. Instituímos "leis" que representam tudo aquilo que mais repudiamos na sociedade e a elas instituímos moralismos imorais.

E todos dançamos no mesmo baile, com ou sem máscaras. Morais e imorais. Criaturas e criador. O real e o ilusório.

Este livro "O Rei, a sombra e a máscara" nos remete a uma viagem dentro de nós mesmos, quando ainda éramos ainda um pedaço de terra, antes de começar a construção de nós mesmos. Nos faz refletir sobre o que tecemos de nós, nossos valores e nossas escolhas. Nossa postura diante de nós e dos outros.

É impossível não lê-lo e não fazer-se a pergunta: Quem eu sou?

Podemos até não chegar à resposta, e se já a tínhamos essa será substituído por uma nova perspectiva a cerca do "nosso verdadeiro eu".


Recomendadíssimo. Sugiro que leiam mais de uma vez, verão que a cada leitura uma nova descoberta e um novo questionamento surge. Tive a oportunidade de lê-lo em dois momentos diferentes da minha vida, e para cada momento obtive sensações distintas, porém de muito acréscimo espiritual e pessoal, e até mesmo profissional.

Quem desejar adquiri-lo acesse http://www.sidneyniceas.com.br/ Ao meu amigo Sidney, sucesso hoje e sempre, do tamanho da sua simplicidade e talento.

Demorou, mais aqui está. Minha experiênca com este livro fantástico.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Paramahansa Yogananda

"Ao irradiar amor e boa vontade para os outros, abrirei o canal para que venha a mim o amor de Deus. O amor divino é o imã que atrai para mim todo o bem"

Paramahansa Yogananda

Gente feia... cheiro ruim!

Olhando atentamente a nossa volta percebemos como existem pessoas feias. Não fisicamente, mas espiritualmente. Suas vidas é uma sucessão de enganos, tropeços e cheiro ruim. Suas feridas de tão profundas exalam um odor que fere suas almas de tal forma que não conseguem produzir nada que seja bom.

Pessoas feias "jogam" com a vida dos outros, espalham a discórdia, utilizam o mal através de atitudes tão simples e quase imperceptíveis.

Pessoas feias não admitem quando perdem, não aceitam o fim do combate, ignoram as lições da vida, faz o amor transformar-se em algo feio, vulgar, medíocre, maldoso. Elas sequer sabem o que é amar...  Não sabem o que é de fato “ir até o inferno” por uma pessoa que amamos.

Pensando nisso tudo me bate um cansaço tão grande. Enquanto simplesmente caminho para o meu destino - seja ele qual for - vou deixando minhas armas, medos e armadura no chão. Não quero mais ouvir palavras feias de gente feia. Não quero mais alimentar mágoa, não quero mais sentir esse cheiro ruim, não quero mais ver essa feiúra: chega!

Tanta coisa boa e linda acontece o tempo todo com a gente, é perda de tempo nos apegar ao que não tem importância alguma. “O mal sempre volta para casa”.

De volta ao regaço acolhedor... É assim que me sinto. Voltando para casa. Deixando tudo para trás porque o que me consome agora é um imenso cansaço. Uma fadiga por lidar com gente feia e por tentar não sentir nojo de suas atitudes. E ao mesmo tempo bloquear o sentimento de pena, tão indigno para qualquer ser humano. SER HUMANO! Forte essa palavra.

E agora, eu deixo meus medos e minhas armas no chão. Só quero voltar pra casa e abraçar as pessoas que amo.

Olho-me no espelho e não sinto vergonha do que vejo. Deito a noite e durmo em paz. Ando na rua e tenho a cabeça erguida. Ajoelho-me diante de Deus e me sinto acolhida. Encontro as pessoas da minha vida e sinto a força milagrosamente poderosa chamada amor.. Assim, no singular, porém pluralizado em toda sua forma de amar e se manifestar.

Vamos voltar para casa, vamos jogar tudo no chão – inclusive esse cheiro ruim que ficou em nós – e voltar. É hora!

sábado, 2 de julho de 2011

O dia em que o sol não saiu (para Euzonia)

Hoje o dia começou cinza, o sol não saiu. Não haviam pássarros no céu e nem crianças correndo na rua. Não havia música ou pessoas rindo.

Uma amiga se foi, triste, pois queria ficar um pouco mais. Mas o seu corpo - que não acompanhava sua alma jovem - já estava cansado demais para continuar e precisava deitar-se, era tarde e a hora de recolher-se chegou.

E ela dorme enquanto seus anjos - em quem tanto acreditava - a leva com cuidado para o lado de Deus. E quando chegar lá irá acordar feliz porque saberá que tudo estará bem. E nós ficaremos aqui cultivando as lembranças e saudade que doerá um pouco e por um bom tempo.

Me lembrarei sempre das nossas conversas na varanda, da caipirosca que tanto gostava, da agulhinha frita em Luiz e principalmente, da vontade de viver. E viveu!

Dorme em paz!

** Para Euzonia que nos deixou hoje, um dia em que o sol não saiu.**