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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O dia começou assim!

Deixei a janela aberta e logo percebi que aquelas pequeninas e frágeis criaturinhas voadoras cantarolavam com perfeita afinação enquanto rasgavam o céu com seus voos e acariciavam o vento com suas asas.

O sol despontava finos raios que aos poucos invadiam o quarto escuro e frio dando uma luz inigualável ao lugar. Aquecendo tudo e expandindo um cheiro gostoso e quente de vida ao mesmo tempo em que eles, como uma orquestra, embelezavam o momento como um pano de fundo fino, delicado e vibrante.

Não pude deixar de sentir que os pêlos do meu corpo levantaram-se todos sinalizando um êxtase por tamanha beleza, embora o calor frio do sol da manhã que se dispunha já tomava todo o ambiente.

Fiquei ali por um tempo e admirei aquela claridade invadindo aos poucos e subindo meu corpo como um viajante percorrendo seu desconhecido caminho. Lentamente ia-se subindo, explorando e aquecendo cada parte de mim como se eu tivesse realmente sendo tocada, poderia sentir o tato da vida me redescobrindo e explorando meus sinais, minhas cicatrizes com se fossem algo especial dada a tamanha delicadeza com que eram tocadas.

Finalmente pude sentir aqueles raios tocando meu rosto gerando em mim uma satisfação inexplicável. Sentia o cheiro embora não houvesse, mas o senti assim mesmo.

Entreabri minha boca e deixei-a iluminar como uma pequena caverna permitindo que a luz entre e aqueça a frieza que existira. Senti um leve rolar húmido de água e sal pelo meu rosto, mas mantive os olhos fechados um pouco mais... Era como se a vida entrasse em mim a partir dali.

Naquele momento em que Deus me tocou atravez de sua criação pude entender que embora existam algumas dificuldades, umas mais duradouras e intensas que as outras, nada sobreporá o seu amor que é d i a r i a m e n t e  manifestado através de pequenas coisas. Me senti feliz por me permitir parar por 10 minutos e ouvir "eu te amo" de uma forma tão intensa que mudara todo o meu dia e a forma como agiria a partir dessa experiência.

Um pequeno momento de pura vida, de puro amor, de pura conexão com o criador... E tudo o que eu tive que fazer foi: abrir a janela, deitar-me à sua frente, fechar os meus olhos e sair do controle só um pouquinho.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Aproveite o dia

No berço da nossa ignorância criamos a verdade ilusória de que sabemos realmente em que direção estamos indo e que temos sim o controle de tudo. Ah, somos tão eficientes em planejar e executar com perfeição cada passo da nossa vida. Não há erros, é só seguir o script.
Bah!  Que nada!
A grande verdade é que quanto mais planejamos, quanto mais nos esforçamos em RE-conhecer-nos, quanto mais cremos no que criamos, mais perdidos estamos e somos.
Nossas histórias se misturam com a poeira deixada na estrada de outras vidas que outrora passaram ali, e mais adiante, cruzamos – ainda empoeirados – com outras vidas que se emaranharão com as nossas. Nem sabiamos quem eram até poucos segundos atrás. E alguns segundos à frente... PRONTO... já são parte de nós.
A viagem segue:  mais poeira, mais gente, mais vida, mais histórias. Apanhamos algumas flores no caminho admirados e encantados com o balé de cores e odores. Uma vez ouvi que a verdade é contraditória. Talvez seja. Algumas vezes é preciso estar longe para estar perto. As vezes é preciso perder para ter. As vezes é preciso esquecer para lembrar. Morrer para nascer.  Partir para chegar. Dividir para somar.
Tudo é tão confuso, mas ao mesmo tempo tão mágico. O bom mesmo, é deixar-se levar, sem muitos planos para coisas simples. O simples precisa ser simples, para quê complicar?
Carpe Diem

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Revendo quem somos

Já percebeu que algumas pessoas vivem suas vidas como se fossem verdadeiras "desventuras em série"? Que valorizam muito mais os acontecimentos ruins aos bons? E que de tanto convivermos com estas pessoas nos pegamos algumas vezes fazendo o mesmo: reclamando de tudo.

Algumas pessoas têm mesmo essa tendência de segurar firme nas mãos do passado, especialmente aos acontecimentos ruins, fazendo com que não enxerguem os pequenos e bons acontecimentos do momento presente.

Considero que uma das grandes energias que move o universo é o otimismo. Tudo é bom mesmo quando é ruim. Loucura? Não. Os acontecimentos ruins nos trazem ao menos aprendizado, experiência, nos torna fortes, preparados. Os acontecimentos bons vêm como benção, graça. Sabe aquela história de "fazer limonada apenas com um limão"? Pois é. Transformar o ruim no bom e pode acreditar que se você estiver disposto a fazer isso, o universo inteiro irá conspirar ao teu favor. Mas só se você quiser. Aliás, as coisas boas só nos acontecem se primeiramente estivermos preparados para vivenciá-las, para enxergá-las, para acolhê-las em nossas vidas. Caso contrário,  não vai rolar.

Cada pessoa traz dentro de si experiências dolorosas que o acompanharão pelo resto de suas vidas, mas não devem interferir de forma negativa na forma que vivemos. Feridas que mesmo fechadas, por baixo da pele ainda latejam, ainda doem. Mas podemos sim escolher como podemos viver. Como nos portamos diante dos acontecimentos, das tragédias, das vitórias, das conquistas.

Ao invés de ficar reclamando de tudo, pára um pouco, repensa as atitudes, traça uma estratégia para tua vida, identifica o que te faz mal, começa te libertando destas coisas que te fazem mal e vai à luta. Se te falta dinheiro, conforto, amor, paz e etc., só você pode mudar isso. Alimenta o otimismo na tua vida, exerce a autoconfiança, reconstrói quem és começando por tuas convicções. É difícil admitir, mas às vezes é necessário reconstruir quem somos e rever o que acreditamos. Abrindo mão de algumas coisas, revendo nossos valores e conceitos talvez encontremos o nosso "ponto certo".

Até um tempo atrás eu abria minhas feridas para os outros. Demorou até que percebi o quanto minhas dores deixavam as pessoas tristes. Perdiam o brilho dos olhos tentando colocar-se no meu lugar. Isso me deixava triste. Afinal, o brilho no olho de outra pessoa é algo que nos dá vida, ânimo e nos incentiva a buscar energias positivas. Percebi que minhas dores são apenas minhas, e se elas já estão conjugadas no passado, passado é. Fim. Além do mais, isso me mantinha exposta, e algumas pessoas não tinham maturidade para lidar com tais "confidências". Além do fato de que cada vez que eu falava de alguma dor passado, era como se eu ressuscitasse um defunto, e de fato era. Então, resolvi deixar os mortos descansarem em paz.

Tem uma música de Luiza Possi que tem um trecho que gosto muito "quero que você me dê o que tiver de bom pra dar". É isso. Temos a obrigação de sermos melhor para os outros, de dar a eles o que temos de melhor. Considerando a lei do retorno, é exatamente o que receberemos de volta, o melhor dos outros e da vida. Às vezes questiono a teoria do "primeiro eu, segundo eu, terceiro eu". Acho que não se aplica a tudo, não pode ser uma regra. Pois acredito que nos tornamos seres humanos melhores à medida que fazemos o bem aos outros, e nessa lógica a ordem é inversa: primeiro ele. Essa troca de energia faz um bem tremendo à alma, ao coração, ao corpo, ao espírito. O outro se completa em mim através de minhas ações. E eu me completo no outro através do resultado das minhas ações na vida dele. Tudo é troca. Energia só é energia se acreditarmos nela, em troca, ela conspirará para que coisas maravilhosas nos aconteçam.

"Quero que você me dê o que tiver de bom pra dar".

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Dias, anos e vida

Eles ardem de doçura ou enfurecem o agulhão, tal qual uma abelha
E o certame continua indo e vindo, entre o mel e a dor
Dizem que os anos se desfiam como rede: não há rede
Dizem ainda que os anos são como um rio, cujas gotas correm e misturam-se a outras: não há rio
A vida, vivida ou sonhada, não pode ser partida em duas metades
Ela é ação, ela é silêncio, ela é verdade, ela é virtude, ela é uma em mil fases, e porque não dizer faces
Ela é como a folhagem seca que na fogueira, reverbera numa única chama: o tempo
Somos como árvores que crescem silenciosas, para cima e para baixo
Em baixo, convivemos com os germes instransferíveis e, bebemos da água extensa e gratuita
Em cima, nossa copa abriga, convive e compartilha o céu e tudo que nele há, até os temporais: e ainda estamos alí
Tomando do sol o seu calor sem sequer pedir seu consentimento
Tomando da chuva sua umidade, salivando nossas folhas e brotando nossas flores e frutos, sem que ela sinta a ausência de uma gota sequer

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O tempo

O tempo detém em si o segredo de consumir-se sem percebermos
É um relógio que, parado ou andando, faz-se contar em segundos, dias, anos e até momentos
Cronometro invisível, nada mais é que engodo para fazer-nos pensar que podemos controlá-lo, prendê-lo, detê-lo. Engano desmedido
Finge ser infinito, assim, não o vemos passar. Acreditamos consumi-lo, a verdade é inversa
Impiedosamente nos impõe a gravidade até o último grão, expõe nossa fragilidade e a escancara no espelho da nossa vaidade
Imparcial, não se detém a distinções: Devora a todos impiedosamente
Todavia, tão vão seria viver matando o tempo. Seria o mesmo que matar-se sem sentido

Diz-se dele, então, invisível ponteiro da vida. Crueldade desnuda e inocente é também peça necessária do fim, sendo este inevitável. Tem fome e sede insaciável. As sombras que se movem o trazem escondido por traz de si.
Ele, ele mesmo, encarrega-se de representar - soberano - os objetos que não nos servem mais, as pessoas que há muito não vimos, as cartas amarelecidas, as crianças que crescem, os velhos que morrem, as fotos que desbotam, a esperança perdida e também aquela renascida, a podridão das frutas que sequer foram colhidas... e a vida
Triste realidade: ele está até nas memórias e lembranças já esquecidas. Nos deixa por herança a esperança de Pandora.
Ele, o tempo. Senhorio e rei de duas faces. Ora nos mata, ora nos dá vida. Dono irremediável e incontestável que traz sempre embainhada a faca amolada da fé cega.